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V O G U E a n d L O V E

Um diário virtual (utilizado quase de mês a mês) que possui os desejos, partilha tendências e descreve peripécias de o dia-a-dia de uma rapariga normal.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Catarina (22)
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A crise dos vinte (e dois)

 

Acho que estou neste processo de crescimento, conflito cognitivo e emocional há cerca de dois anos. Tudo começou aos vinte. Ao de leve. 

Comecei a mudar a perceção sobre o tempo e a atenção que dedicava a pessoas que não me preenchiam e não acrescentavam em nada. Redefini o que para mim eram as relações que interessavam e o que significavam. 

Embora não percebesse na altura, já mais perto dos vinte e um comecei a descer numa espiral que parecia não acabar. Na altura, confusa e em cacos, achei que a solução mais viável para resolver todos os meus "demónios" seria afastar-me de tudo e todos. Fechei-me. Mesmo. Mal saía de casa. A minha rotina passou a ser quarto, w.c., cozinha, quarto, cozinha, sala, w.c., quarto. Comecei a cruzar-me mais vezes comigo, ao espelho. E até de mim fugi. Comecei a detestar o que via. A cara, o cabelo, a forma do meu corpo... Sentia-me mal comigo, só via o meu corpo a dar sinais de toda a ansiedade que andava a viver. Acne, queda de cabelo e uns quilos a mais. Tentei encontrar-me no vegetarianismo e na meditação. Ajudaram, mas rapidamente caíram por terra e continuou a ser muito mais fácil fechar-me. Falei com uma ou outra pessoa, nada mais.  

 

O tempo continuou a passar, comecei a rodear-me daquilo que achava melhor, desde personalidades inspiradoras, a livros de desenvolvimento... Ajudaram, mas continuei neste ciclo de crise comigo própria. 

Aos vinte e um e alguns meses, alguns dos sonhos perdidos surgiram novamente. Canalizei todas as energias nesses sonhos e voltei a esquecer-me do resto. Abdiquei da família e amigos... Foquei-me em tudo o resto para não encarar de frente todos outros "demónios" que surgiam.

Depois de tudo isto, afastei-me dos meus hobbies, do que me preenchia, do que me fazia feliz, por mais simples e banal que fosse... Afastei-me ao ponto de perder a minha identidade. Algo tão simples como vestir-me e demonstrar a minha vaidade, que sempre foi algo que adorei, passou a ser uma dor de cabeça. "Não gosto do que vejo, como me vejo, esta não sou eu".

Começaram as insónias. Não percebi de onde vinham... Ou não quis perceber. Bastou uma chamada de atenção de terceiros para acabar com mais um dos meus problemas. 

Sabem... Um dos meus maiores medos é desiludir os outros. Hoje entendo que este medo me sobrecarregou de uma carga emocional negativa que só agora vem ao de cima. 

O facto de não querer encarar os meus problemas e viver uma vida de "fachada" pareceu-me sempre a solução mais fácil. Mas não. A repressão de emoções e pensamentos acabou por me deixar num caos interior ainda por resolver. 

Às vezes dou por mim no meio da rua a caminhar com lágrimas nos olhos, com o coração vazio e a mente cheia de insultos para comigo própria. "És inútil", "Não fizeste nada de especial hoje", "Estás cada vez mais longe do que te queres tornar e do que queres ser". 

Desta vez, nem os sonhos escapam... Aliás, escapam. Não tenho foco, concentração, aquela energia inesgotável, sabem? Aquela que nos faz ter mais energia que 10 bicas, aquela que faz com que a nossa produtividade acelere... Vivo ansiosa, com o coração a palpitar. Tive umas semanas que a única coisa que desejei e fiz foi ficar deitada na cama em posição fetal. Sem fazer nada. Só assim. 

Depois olho à volta e vejo uma série de ditadores. Redes sociais, livros, podcasts, televisão... Um sem fim de estrategas que dizem como devo ser.

 

"Deves vestir-te como dita a moda, deves visitar os sítios mais in do momento, mas ao mesmo tempo ter tempo para nutrir corpo, mente, alma. Não te esqueças dos cabelos ao vento, do corpo sarado, do bronzeado no ponto! E essa roupa? Já não te disse que tens de seguir a moda? Ah mas espera! Essa marca não! Não é orgânico, nem é comércio justo, é escravidão... No século XXI! Mas espera, desculpa. Vem aí a black friday, os descontos, o Natal, as promoções e os saldos... Por isso, podes! Compra os cristais, alimenta-te de verdes, não te esqueças do mindfulness, do zero-waste, do vegetarianismo... Isso? NÃO! Não podes comer isso! Tem glúten, farinhas processadas, foi passado por amoníaco! Para além de que estás a matar as espécies raras da Amazónia! Plástico? Não! Olha o fundo do mar! Daqui a 10 anos há mais plástico que peixe no mar! Bambu! Ecológico, orgânico, cruelty-free, vegan, vegetariano, não testado em animais, natural... Gratidão! Não te esqueças!"

 

Por mais bonitos que sejam os princípios é difícil encontrarmo-nos no meio de tanta coisa.

E no final do dia, depois de nos impingirem tantos ideais, o que é que sobra? Quem é que somos? O que é que facto fizemos para chegar onde queríamos? De que adianta tantas ideias se são para "inglês ver"? Porque é que não vivemos, ao invés de fingirmos que vivemos? Porque é que não fazemos por nós próprios, ao invés de querer mostrar aos outros que fazemos?  E nós? Onde ficamos? O que é que nos faz feliz afinal?

É no meio de tanta certeza, ditada por quem não conheço, que me perco. Sinto-me sem rumo. 

E às vezes só queria ter força para isto... Para escrever. 

Hoje já o fiz. É o primeiro passo e isso basta. 

 

Escrever acho que é a minha forma de falar e organizar-me. 

 

Às vezes tenho saudades de voltar aqui, escrever sobre o que mais gosto, o que me preenche... Mas eu já não me conheço, e embora sinta saudades, é difícil voltar aqui. Tenho algumas publicações em privado, porque escrevo, publico e... Coloco em privado por achar que não tem lógica. Hoje só precisava de escrever, com ou sem sentido. Tudo isto porque descobri que escrever é a minha melhor ferramenta de organização da mente. E este é um dos meus melhores cadernos. Foi este espaço que ajudou a definir uma grande parte de mim, a organizar as minhas ideias e a expor crenças e ideais. 

Agora só quero o caminho para me encontrar. E só eu é que posso trilhar esse caminho. Mas agora, com ajuda. Com a minha família. Com os meus amigos. Porque sozinha fico à beira de enlouquecer. 

Quem diria que a crise dos 22 seria tão complexa?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Catarina (22)
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